Shoppings enfrentam queda de público e vendas: desafios e projeções

Crédito: Folha de S.Paulo
Os shoppings centers brasileiros enfrentam um cenário desafiador, com queda no número de visitantes e redução nas vendas reais desde 2019. O setor, que já vinha sendo impactado pela pandemia, agora lida com mudanças estruturais nos hábitos de consumo, impulsionadas pelo crescimento do e-commerce e por fatores econômicos adversos. A busca por um novo modelo de negócios torna-se urgente para reverter a tendência de esvaziamento.
Queda acentuada no público e nas vendas
Desde 2019, o total de visitantes nos shoppings caiu 6,2%, enquanto as vendas reais, descontada a inflação pelo IPCA no período, recuaram 25%. Embora o faturamento nominal tenha crescido 4,2% para R$ 200,9 bilhões de 2019 a 2025, esse aumento não compensa a perda do poder de compra dos consumidores.
A projeção de faturamento para 2026 é de R$ 203,7 bilhões, considerando a entrada de 11 novos shoppings no mercado. Esses números evidenciam uma pressão significativa sobre a rentabilidade do setor.
Impacto do comércio online e fechamento de lojas
Um dos principais motivos que levaram ao fechamento de lojas nos shoppings foi o público se acostumar com a comodidade da compra online. No mercado nacional de celulares, por exemplo, 25% das vendas eram online em 2020, percentual que saltou para 45% atualmente.
Exemplo concreto: caso da distribuidora Allied
A distribuidora de produtos eletrônicos Allied fechou quase metade dos pontos de venda da marca Samsung no Brasil desde a pandemia — de 180 em 2020 para os atuais 95, todos em shopping centers. O público dos shoppings vem caindo, e todos os varejistas passam por um processo de depuração, referindo-se à necessidade de fechar lojas não lucrativas.
Fatores econômicos que afetam o consumo
Fatores como o endividamento e a inadimplência, além dos juros elevados no país, estão fustigando o potencial de consumo da população. A classe média praticamente desapareceu no Brasil, o que reduz a base de clientes com poder de compra para itens não essenciais.
As pessoas pensam duas vezes antes de consumir e acabam comprando pela internet, de plataformas que exercem muitas vezes uma concorrência desleal com o varejo físico. Essa realidade impacta diretamente o fluxo nos empreendimentos, especialmente em regiões como o interior de São Paulo, onde o poder aquisitivo pode ser mais sensível.
Mudanças nos hábitos e no fluxo de visitantes
São as empresas que adotaram o trabalho híbrido que prejudicam o fluxo de visitantes, reduzindo o movimento durante a semana. Nos shoppings vemos uma mudança estrutural: parte da jornada migrou para o digital, reduzindo o papel do empreendimento como destino.
Enquanto isso, as lojas de rua capturam mais compras de necessidade e conveniência, o que sustenta melhor o fluxo. Essa divisão de funções entre o físico e o online redefine a atratividade dos shoppings como locais de compra.
Busca por alternativas e novos modelos
O setor debate alternativas como a busca por uma nova “âncora”, que atraia novo público em substituição aos cinemas ou mudanças no horário de funcionamento. A Abrasce não apoia a diminuição da carga horária ou o fechamento aos domingos, um dos dias de maior venda.
Tem mais chance de o shopping ficar aberto 24 horas por dia, em uma tentativa de se adaptar a diferentes rotinas. Os shoppings não podem ficar parados, precisam descobrir um novo modelo de negócios que volte a atrair público.
Cenário desigual entre regiões e perfis
A queda de público e faturamento é desigual pelo país. No Nordeste, o setor cresce, enquanto no Sul e no Sudeste o modelo parece esgotado. A maioria dos empreendimentos voltados à alta renda sente menos a crise, indicando uma segmentação que pode ditar estratégias futuras.
Exemplo regional: interior de São Paulo
Para shoppings em cidades do interior paulista, como Araçatuba, entender essa dinâmica regional é crucial para planejar ofertas que ressoem com o público local. A adaptação às realidades específicas de cada mercado será um diferencial competitivo.
Perguntas Frequentes
Qual foi a queda real nas vendas dos shoppings desde 2019?
Desde 2019, as vendas reais dos shoppings caíram 25%, mesmo com o faturamento nominal crescendo 4,2% para R$ 200,9 bilhões até 2025, quando descontada a inflação pelo IPCA no período.
Por que tantas lojas estão fechando nos shoppings?
Um dos principais motivos é o público se acostumar com a comodidade da compra online, além da necessidade de fechar lojas não lucrativas em meio à queda de visitantes. Por exemplo, a distribuidora Allied fechou quase metade dos pontos Samsung, de 180 em 2020 para 95 atuais.
Os shoppings estão buscando alternativas para atrair público?
Sim, o setor debate alternativas como buscar uma nova “âncora” para substituir cinemas, mudar horários de funcionamento ou até ficar aberto 24 horas, já que a Abrasce não apoia fechar aos domingos, um dos dias de maior venda.


























