Chernobyl 40 anos: novo desastre nuclear é possível

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Chernobyl 40 anos: novo desastre nuclear é possível?

Quatro décadas após o desastre de Chernobyl, o maior da história, o temor de uma nova catástrofe nuclear volta a ganhar força diante de duas guerras em curso. Muito perto das frentes de combate entre Rússia e Ucrânia, a usina de Zaporizhzhia enfrenta cortes de energia recorrentes. Ao mesmo tempo, instalações nucleares no Irã estão no centro das tensões citadas por EUA e Israel para iniciar uma guerra contra Teerã. Ambas as situações extremas levantam a questão: existe a chance de sermos testemunhas de um desastre nuclear de grandes proporções? A pergunta ecoa mais fortemente neste domingo (26), quando se completam 40 anos da tragédia de Chernobyl, o mais grave acidente nuclear de todos os tempos.

Riscos atuais em Zaporizhzhia e Irã

Nesta manhã, a central nuclear de Zaporizhzhia ficou completamente sem energia externa pela décima terceira vez desde o início do conflito armado, após a última linha de transmissão ter sido desconectada, disse a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em um comunicado no dia 14. A situação preocupa, pois a falta de energia pode comprometer os sistemas de resfriamento dos reatores. No Irã, as instalações nucleares estão no centro das tensões que podem levar a um novo conflito, aumentando ainda mais os riscos de incidentes graves.

Diferenças entre Chernobyl e os reatores atuais

Vale notar, no entanto, que as circunstâncias do desastre de 26 de abril de 1986 são bastante diferentes dos riscos que a AIEA enxerga nas instalações nucleares em 2026. Logo de início, o incidente em Chernobyl ocorreu em tempos de paz, fruto de falhas de projeto, de pressões indevidas e decisões equivocadas dos coordenadores, além de erros dos operadores. “Não é correto dizer que qualquer reator pode explodir como Chernobyl”, diz Renato Cotta, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Para entender o que ocorreu em Chernobyl há 40 anos e por que a situação dificilmente deve se repetir, é preciso entender a diferença entre os projetos das usinas nucleares.

Modelos RBMK e VVER

Os quatro reatores instalados na Usina Nuclear de Chernobyl V. I. Lênin, na antiga União Soviética, são do modelo RBMK. Já os seis reatores de Zaporizhzhia pertencem a uma outra família, a VVER. Essa diferença de projeto é crucial: os reatores RBMK tinham um design instável que permitiu a explosão, enquanto os VVER são considerados mais seguros e contam com sistemas de contenção modernos. Assim, embora os riscos atuais existam, as características do desastre de Chernobyl dificilmente se repetirão.

Perguntas Frequentes

Quais as chances de um novo desastre nuclear como Chernobyl, 40 anos depois?

Embora guerras na Ucrânia e no Irã aumentem os riscos de incidentes graves, as circunstâncias de Chernobyl (falhas de projeto, pressões e erros humanos) são diferentes dos riscos atuais, e especialistas afirmam que reatores modernos não explodem como o RBMK.

Por que a usina de Zaporizhzhia perdeu energia externa 13 vezes durante a guerra?

A central nuclear de Zaporizhzhia ficou completamente sem energia externa pela décima terceira vez desde o início do conflito armado, após a última linha de transmissão ser desconectada, segundo comunicado da AIEA em 14 de abril.

Qual a diferença entre os reatores de Chernobyl e os de Zaporizhzhia?

Os reatores de Chernobyl são do modelo RBMK, enquanto os de Zaporizhzhia são do modelo VVER, o que torna improvável a repetição do mesmo tipo de explosão.

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