Guerra no Golfo expõe bilionária criptoeconomia do Irã

Crédito: O GLOBO
No começo da semana, a empresa grega de risco marítimo MARISKS emitiu um alerta para um possível golpe voltado às centenas de embarcações que aguardam autorização para cruzar o Estreito de Ormuz: “pessoas desconhecidas” estão exigindo o pagamento de pedágio. A situação expõe um ecossistema bilionário que vai bem além da guerra no Golfo: a criptoeconomia do Irã.
Pedágio em criptomoedas no Estreito de Ormuz
A Guarda Revolucionária sugeriu que o pagamento de pedágio para atravessar a passagem fosse feito em criptomoedas, um conhecido meio para a evasão de sanções. Não está claro se os golpistas conseguiram enganar alguém, mas eles fizeram sua lição de casa: nos últimos anos, as autoridades iranianas ampliaram o uso de criptomoedas para transações às margens dos sistemas regulatórios internacionais, não apenas em Ormuz, onde alguns navios pagam pedágio para passar. O Irã divulga imagens aéreas e abordagens a navios no Estreito de Ormuz, reforçando sua presença na região.
Bilionária criptoeconomia sob sanções
Segundo a empresa de análise de blockchain Chainalysis, ao final do ano passado havia US$ 7,78 bilhões em criptomoedas no sistema iraniano, valor que vinha aumentando de ano a ano. Como boa parte da economia, a operação é centralizada e tem forte participação da Guarda Revolucionária. Kaitlin Martin, analista sênior de inteligência da Chainalysis, disse ao Wall Street Journal: “Em qualquer jurisdição com sanções abrangentes, as criptomoedas são úteis. É muito fácil liquidar transações e pagamentos internacionais. É rápido. E é relativamente fácil obtê-las, dada a atmosfera vibrante em torno das criptomoedas no Irã.”
Infraestrutura permanente de conversão
“A forma como o Irã apresenta o sistema de pedágio como uma afirmação permanente de soberania — codificada em legislação, administrada por meio de uma estrutura de comando permanente da Guarda Revolucionária Islâmica e respaldada por uma infraestrutura dedicada à conversão de criptomoedas na Ilha de Qeshm — torna improvável uma reversão completa após o conflito”, explica a TRM. A empresa de análise de blockchain Elliptic identificou uma alta de 700% nas movimentações de contas desde o início da guerra, em fevereiro, sugerindo que esses fundos estavam sendo enviados para outras contas e corretoras de fora do Irã.
Desafios para o rastreamento e sanções
Tom Keatinge, diretor do Centro de Finanças e Segurança do centro de estudos britânico Royal United Services Institute, disse à agência Reuters: “É preciso um recurso considerável para fazer o tipo de rastreamento de blockchain e outras tarefas semelhantes, para emitir as sanções. É o jogo definitivo de ‘acertar a toupeira’ em alta velocidade.” Ele concluiu: “Quanto mais se pressiona a economia iraniana, mais se deve estar preparado para lidar com as consequências, uma das quais é o uso crescente de criptomoedas.”
Riscos e vulnerabilidades do sistema
No ano passado, a Nobitex, uma das principais corretoras iranianas, foi alvo de um grupo de hackers israelenses, que roubaram US$ 90 milhões dos clientes. A Mindex, outra plataforma, afirma em seu portal de vendas: “Deve-se notar que, dadas as políticas gerais da República Islâmica do Irã em relação à burla das sanções, não há problema na execução do contrato. Seu produto adquirido chegará até você o mais breve possível.” O cenário mostra como a criptoeconomia iraniana, embora robusta, enfrenta riscos internos e externos.
Perguntas Frequentes
Qual é o valor estimado de criptomoedas no sistema iraniano e como ele tem evoluído?
Segundo a Chainanalysis, ao final do ano passado havia US$ 7,78 bilhões em criptomoedas no sistema iraniano, valor que vinha aumentando de ano a ano.
Como a Guarda Revolucionária está envolvida no uso de criptomoedas no Irã?
A Guarda Revolucionária sugeriu que o pagamento de pedágio para atravessar o Estreito de Ormuz fosse feito em criptomoedas, e a operação é centralizada com forte participação da Guarda, que administra o sistema de pedágio codificado em legislação e respaldado por infraestrutura dedicada na Ilha de Qeshm.
Qual foi o impacto da guerra no Golfo nas movimentações de criptomoedas iranianas?
Com o início da guerra, a Elliptic identificou uma alta de 700% nas movimentações de contas, sugerindo que fundos estavam sendo enviados para contas e corretoras fora do Irã.

























