Daniel Vorcaro usou embrião de ciranda financeira no Banco Máxima

Crédito: Folha de S.Paulo
Em fevereiro de 2019, o Banco Central propôs o veto à operação de compra do Banco Máxima. A instituição financeira enfrentava dificuldades graves e estava à beira de ser liquidada.
O empresário Daniel Vorcaro liderava o grupo de pretendentes que tentou adquirir o banco. As investigações apontaram que ele utilizou um embrião do esquema de ciranda financeira na transação.
Veto do Banco Central e suspeitas de irregularidades
A decisão do órgão regulador ocorreu após constatação importante: os recursos para capitalizar a instituição não tinham origem comprovada de forma clara e inequívoca.
Circularização de recursos
Os técnicos do Banco Central suspeitaram que a operação envolvia “circularização” de recursos. Esta prática levanta alertas sobre a saúde financeira das transações.
Daniel Vorcaro e os outros pretendentes enfrentaram dois problemas principais:
- Não conseguiram comprovar a origem dos recursos necessários
- Não convenceram o órgão regulador sobre sua capacidade econômica para assumir o controle
Essa falta de transparência foi um dos motivos centrais para o veto proposto pelo Banco Central.
Análise do relator do processo
O relator do processo era Sidnei Corrêa Marques, então diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central. Sua análise detalhada revelou que:
- Os elementos apresentados não elucidavam satisfatoriamente a origem dos recursos
- A situação ilustra a importância da devida diligência em operações financeiras
Investigações paralelas e operações anteriores
Caso Brazil Realty
Daniel Vorcaro também é investigado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por operações envolvendo o fundo Brazil Realty. Em 2016, as demonstrações financeiras da Viking, empresa associada ao empresário, registravam investimentos de R$ 112,5 milhões.
Movimentações da Viking em 2017
Em setembro de 2017, ocorreram duas operações significativas:
- A Viking subscreveu aproximadamente 2,6 milhões de cotas do fundo Brazil Realty mediante transferência de mais de 500 mil ações da WWS (54,67% do capital social)
- No mesmo mês, fez nova subscrição de mais de 2,1 milhões de cotas mediante transferência das ações restantes da WWS
Essas movimentações destacam a interconexão entre diferentes ativos e a necessidade de rastreabilidade nas operações de mercado.
Composição do grupo de investidores
Em 16 de janeiro de 2019, ficou acertada a entrada de outros participantes no negócio. A lista incluía:
- Augusto Lima (10% de ações)
- Bruno Guedes (3%)
- Yan Tironi (3%)
- Alexandre Seguim (3%)
- Antonio Neto (3%)
- Felipe Simonsen (1,75%)
- Armando Gallo (1,75%)
A diversificação dos investidores poderia, em tese, distribuir os riscos e fortalecer a proposta. No entanto, mesmo com a ampliação do grupo, as questões sobre origem dos recursos e capacidade econômica permaneceram sem solução.
Silêncio da defesa e impactos regulatórios
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou na sexta-feira (17) que não iria se manifestar sobre os problemas na compra do Banco Máxima. A decisão de não comentar o caso pode refletir a complexidade jurídica e financeira envolvida.
O veto do Banco Central à operação evitou que uma instituição com dificuldades financeiras fosse adquirida sob suspeitas de irregularidades. Este tipo de supervisão rigorosa é fundamental para manter a confiança no sistema bancário.
Perguntas Frequentes
Por que o Banco Central vetou a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro?
O Banco Central propôs o veto porque Daniel Vorcaro e outros pretendentes não conseguiram comprovar a origem dos recursos para capitalizar o banco. Também não convenceram o BC sobre sua capacidade econômica para assumir o controle da instituição.
O que é a “circularização” de recursos mencionada no caso Vorcaro?
Os técnicos do Banco Central suspeitaram de “circularização” de recursos, um embrião do esquema de ciranda financeira. A prática envolve movimentações financeiras sem origem clara e inequívoca dos recursos utilizados.
Quais eram as dificuldades financeiras do Banco Máxima antes da tentativa de compra?
O Banco Máxima enfrentava dificuldades financeiras tão graves que estava à beira de ser liquidado pelo Banco Central. Esta situação motivou a tentativa de compra por Daniel Vorcaro e outros investidores.


























